domingo, 4 de dezembro de 2011

Ser Humano

certa vez perguntei a uma criança
o que ela queria ser quando crescer:
quero ser Humano.
a liberdade tolheu-me os sentidos
a hipocrisia poluiu meu coração
lembrei-me daquelas tardes de domingo
o sol brilhava, o vento soprava
as pipas no ar
e a noite esconde-esconde
toda a turma na rua
segunda era escola
terça também
nada era maçante,
o chá mate era doce e revigorante
não sabia nada do mundo
apenas era eu e era assim
era Humano, nunca quis ser
mas depois descobri
são com vinte e tantos paus
que se faz uma canoa
alguns usam quinze
outros trinta e tantos
a liberdade tolheu-me os sentidos
a hipocrisia poluiu meu
gostaria de poder voltar e ser Humano denovo...

Partida

quando você se foi
ficou tudo azul
como num blues

eu segui por novas estradas,
novas quebradas, outros sorrisos
o sol ainda brilha nos ladrilhos
daquela rua que outrora pisamos

o violão chora sua partida
e eu sigo na estrada da vida

o perfume daquelas flores ecoa na memória
a foto desse dia guardei numa estante
e a doei, como esmola
aos pobres de espirito,

meu violão ainda chora
e soa como grito de solidão.