segunda-feira, 27 de junho de 2011

A festa

Neste domingo me chamaram pra ir à uma festa.
Me pediram pra levar o som até lá
ia levar meu toca-discos mas pensei:
a galera lá é muito careta!

sábado, 11 de junho de 2011

a noite que não terminou

Cinzeiros, bitucas de cigarros, garrafas de vinho, vodka e whisky vazias: este era o cenário daquela sala quando saí. Haviam ainda três bêbados caídos no chão e nos sofás, entrei no banheiro para mijar e encontrei mais um, abraçando a privada. Desisti. Apertei a mão de Renato que era o único acordado, além de mim. Saí. A noite estava escura e fria, é nessas horas que nos lembramos da recomendação de nossa mãe que, sempre solícita, nos diz: leve um casaco, filho, pode esfriar! Poderia estar chovendo também, pensei; encontrar frio e chuva naquele final de noite seriam como ganhar na loteria!
            Segui caminhando pelas ruas rumo ao teatro, esperando encontrar alguém para trocar algumas idéias e, quem sabe, esquentar um pouco. Não encontrei ninguém e decidi ir para casa. Enquanto caminhava fui divagando, reconstituindo falas e fatos que ocorreram naquela noite. As luzes do poste me faziam companhia. Era uma noite sem lua e sem estrelas, o céu parecia refletir o asfalto, negro e sombrio. Garotas, amigos, pessoas novas e velhas na minha vida dançavam na minha mente, como um quadro animado, sem sentido, sem começo e sem fim.
Seguia assim caminhando quando me ocorreu uma pergunta: onde estaria eu? Caminhando para casa, sim, mas algo mais me chamou a atenção, tinha algo errado. Alguma coisa estava fora de seu lugar, algo importante. O que seria? Passei a me indagar insistentemente, enquanto olhava ao redor, na rua, nos postes, revendo a minha frente as pessoas que estavam comigo naquela noite. De repente um estalo: estava morto! É, é isso mesmo, eu havia morrido! Não passava de uma alma vagando por aí. As perguntas invadiam minha mente e tomavam o lugar das cenas daquela noite, como um batalhão de policiais dispersando uma multidão desordenada. Tudo ficou sério e silencioso; o frio deixara de estar só fora, na rua, invadiu meu pensamento, contagiando meu espírito. Naquele momento tive certeza: estava morto. Passei então a reconstituir os fatos daquela noite para saber quando, como e por que havia acontecido, não encontrava lógica em estar morto, não me lembrava do momento exato em que acontecera. Tentei mas não consegui; cada vez que me lembrava do começo da noite e ia organizando as idéias e os fatos, as imagens iam se tumultuando, se agredindo, numa sucessão sem sentido. Num ato de desespero me belisquei: não sentia dor, mas não poderia conceber o fato de estar morto sem ao menos saber como havia morrido. Não havia brigado; estava bem quando deixei a casa do Renato. Não havia porque me preocupar.
De fato! Quando estava me acalmando, ouvi novamente rumor de passos e vozes. Senti que o frio voltava a invadir meu espírito. A sucessão de imagens desordenadas. Olhei ao redor para ver se havia alguém, todas as vezes estava só, tinha certeza! Mas, teria realmente certeza? Ainda não sabia se havia morrido ou não, logo, o rumor poderia ser mais um produto da minha mente.
Foi quando tive uma visão. Uma garota que entrava em seu quarto após o banho, ainda enrolada na toalha. Ela liga o rádio, começa a rolar Tom Waits – Little Trip to Heaven ( On the Wings of Your Love); ainda com a toalha enrolada na cintura, ela enfia seus braços na blusinha, que me parecia seda ou algo do tipo.
Acordei por volta das 13:00; era domingo, o sol brilhava, céu azul, pássaros a cantar e, com certeza, haveriam flores desabrochando em algum lugar. Fiquei ainda algum tempo deitado. Quando me lembrei da noite passada me pareceu algo vago e muito distante. Haveria eu sonhado tudo aquilo?
Novamente, me veio a imagem daquela moça que entrava em seu quarto...  Entre lembranças vagas e perguntas sem respostas fiquei muito tempo deitado na cama, me perguntando: até que ponto a vida é sonho e realidade? Quando o véu se dissipa e quando estamos tocando o que é de fato real? Seria tudo um sonho, a vida e as pessoas?