Certo dia ela me disse que não queria mais me acompanhar. Não entristeci, foi como quando a tinta acaba e o pincel solitário resolve concluir o quadro, pois já não tem motivos para pintar.
Porém a pergunta que não se calou foi a seguinte: Quem se cansa de pintar? Olhei a imensidão do mar a minha frente e descobri a resposta: quem se cansa de pintar começa esculpir. Quando as mãos não conseguem mais ferir a pedra, de tão fracas, elas começam a tocar instrumentos, quando ninguém mais ouve sua melodia elas param e contemplam o mar que existe dentro de nós. Esse mar tão grande que se mistura com o céu no horizonte, tornando-se um, transformando-se num mistério. Quem se esconde atrás da sua própria sombra não desvenda o mistério, não pinta, não esculpi e nem toca os ouvidos alheios.
Peguei os remos do meu barco e segui em busca de uma nova musa que me inspirasse uma nova pintura...